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Estatuto dos cães e gatos avança no Senado: veja o que pode mudar na proteção animal

Uma das propostas mais abrangentes dos últimos anos sobre proteção de animais domésticos avançou no Senado Federal. O chamado Estatuto dos Cães e Gatos, previsto no Projeto de Lei 6.191/2025, recebeu parecer…

Silvia CapriottiAutora 10 min de leitura
Estatuto de Cães e Gatos tramita no Senado.

Uma das propostas mais abrangentes dos últimos anos sobre proteção de animais domésticos avançou no Senado Federal. O chamado Estatuto dos Cães e Gatos, previsto no Projeto de Lei 6.191/2025, recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 12 de agosto de 2026.

O texto reúne direitos dos animais, deveres dos tutores, regras sobre adoção, proteção de animais comunitários, políticas públicas e punições relacionadas a maus-tratos e abandono.

Antes de entender as mudanças, uma informação fundamental: o Estatuto dos Cães e Gatos ainda não é lei.

Até 24 de agosto de 2026, o PL 6.191/2025 permanece em tramitação no Senado Federal. Depois da aprovação na CCJ, a proposta foi encaminhada à Comissão de Meio Ambiente (CMA). As medidas descritas aqui são propostas que poderão se tornar lei, e não novas obrigações que já estejam valendo.

O que é o Estatuto dos Cães e Gatos?

O PL 6.191/2025 pretende instituir um marco específico de direitos, deveres e mecanismos de proteção para cães e gatos no Brasil.

A proposta nasceu da Sugestão Legislativa 10/2025, apresentada à Comissão de Direitos Humanos do Senado pelo Instituto Arcanimal, ligado à Associação Amigos dos Animais. Depois, a sugestão foi transformada em projeto de lei.

Um dos pontos de maior destaque é o reconhecimento de cães e gatos como seres sencientes, ou seja, capazes de experimentar sensações como dor, sofrimento, medo, prazer e afeto. Na prática, o projeto procura reunir em uma legislação específica diferentes aspectos da proteção desses animais.

Atenção: o projeto ainda não é lei

A aprovação de uma proposta por uma comissão do Senado não significa, por si só, que ela tenha entrado em vigor.

Em 12 de agosto de 2026, a CCJ aprovou parecer favorável ao PL 6.191/2025 e encaminhou o projeto à Comissão de Meio Ambiente (CMA). O registro oficial da tramitação informa que, na mesma data, a CMA recebeu a matéria. O sistema do Senado continua classificando a situação como “Em tramitação”.

Quais direitos cães e gatos teriam?

Se o Congresso aprovar definitivamente o texto e ele entrar em vigor como lei, cães e gatos passarão a ter uma relação expressa de direitos básicos. Entre eles estão acesso a água limpa, alimentação adequada, abrigo seguro, assistência veterinária, vacinação e proteção contra abandono e maus-tratos.

O projeto também contempla a possibilidade de o animal manifestar comportamentos naturais da espécie, como correr, brincar, cheirar e conviver com pessoas e outros animais.

Essa abordagem amplia o debate sobre proteção animal porque considera não apenas a ausência de agressões físicas, mas também condições adequadas de bem-estar.

Tutores também teriam deveres mais claros

O Estatuto pretende estabelecer responsabilidades diretamente relacionadas à guarda de cães e gatos. Segundo o texto divulgado pelo Senado, o responsável deverá assegurar condições adequadas de alimentação, higiene e saúde, além de vacinação, vermifugação e identificação do animal. Também estão entre os deveres previstos medidas para evitar fugas e acidentes.

Em espaços públicos, o projeto prevê cuidados como o recolhimento dos dejetos e a condução de cães com guia, coleira ou peitoral. Outro ponto é a identificação dos animais no Cadastro Nacional de Animais Domésticos.

Essas disposições, porém, fazem parte de um projeto em tramitação e não devem ser confundidas com novas regras nacionais já em vigor.

Abandono e maus-tratos estão entre os principais focos

O projeto procura reforçar a prevenção ao abandono e aos maus-tratos. Entre as condutas abordadas pelo texto estão abandono, maus-tratos, rinhas, mutilações estéticas, criação clandestina destinada à venda e determinadas práticas que provoquem dor ou sofrimento aos animais.

A proposta prevê ainda sanções administrativas que podem incluir advertência, multa, apreensão dos animais, interdição de estabelecimentos, perda da guarda e impedimento temporário para manter ou adotar animais. Também contempla condutas específicas relacionadas a matar, abandonar ou omitir socorro a cães e gatos.

O texto que o Congresso aprovar ao final do processo legislativo determinará como essas disposições serão aplicadas na prática.

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Animais comunitários ganham espaço no projeto

Outro tema de grande relevância social é o chamado animal comunitário: cães e gatos que vivem em determinada região, muitas vezes nas ruas, mas recebem alimentação e cuidados de moradores da comunidade.

O projeto reconhece essa realidade e prevê medidas relacionadas a alimentação, abrigo, vacinação, esterilização, identificação e atendimento veterinário, com responsabilidade compartilhada entre poder público e comunidade.

Esse dispositivo pode ter impacto especialmente importante em bairros onde moradores, protetores independentes e organizações mantêm pontos de alimentação e acompanham animais sem tutor individual definido.

O que o Estatuto menciona sobre adoção?

A adoção responsável também ganha regras específicas. Pelo projeto, a adoção deverá ser formalizada e o adotante precisará cumprir requisitos mínimos, como ter mais de 18 anos, possuir domicílio certo e não ter antecedentes relacionados a maus-tratos contra animais.

O objetivo é reduzir adoções impulsivas, devoluções e situações em que os animais acabam abandonados de novo.

Poder público também teria novas responsabilidades

O projeto não concentra as responsabilidades apenas nos tutores. O texto prevê políticas públicas de proteção animal, incluindo programas de castração e microchipagem, campanhas educativas sobre guarda responsável e ações de atendimento veterinário gratuito ou subsidiado para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Também estão previstas medidas de resgate e acolhimento de animais atingidos por desastres ambientais. Esse ponto ganhou relevância nos últimos anos, diante de enchentes, incêndios e outros eventos extremos que colocam milhares de animais em risco.

Condomínios poderiam simplesmente proibir cães e gatos?

Este é outro ponto com grande potencial de repercussão. A proposta prevê que não sejam impostas restrições genéricas à permanência de cães e gatos em condomínios residenciais. Segundo o texto divulgado pelo Senado, limitações poderiam existir quando houvesse risco concreto à saúde, à segurança ou ao sossego dos moradores.

Vale reforçar que essa disposição integra o projeto e ainda não constitui uma nova regra nacional decorrente do Estatuto.

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Educação sobre respeito aos animais também aparece no texto

A proposta vai além da punição e aposta também na prevenção. Campanhas educativas e a inclusão do tema em ambientes de ensino e espaços comunitários poderão incentivar o respeito aos direitos dos animais. A ideia é ampliar a conscientização sobre adoção responsável, bem-estar e senciência animal.

A educação é particularmente importante porque boa parte dos problemas envolvendo animais domésticos está relacionada não somente à violência deliberada, mas também à falta de informação sobre necessidades básicas, reprodução, abandono e guarda responsável.

Outra proposta pode aumentar as penas por maus-tratos

O Estatuto dos Cães e Gatos não é a única movimentação recente no Senado relacionada à causa animal. Também em 12 de agosto, a CCJ aprovou, em primeiro turno, um substitutivo ao PL 4.262/2025. O projeto trata do endurecimento das penas para maus-tratos contra animais e acabou concentrando diversas propostas que tramitavam em conjunto sobre o assunto.

Pelo substitutivo aprovado na comissão, a pena para maus-tratos poderá variar de dois a cinco anos de reclusão, com possibilidade de agravamento em determinadas situações, como casos de tortura, abuso sexual ou divulgação das agressões nas redes sociais. A morte do animal também pode aumentar a punição prevista. A proposta prevê ainda mecanismos nacionais voltados à prevenção e à identificação de maus-tratos.

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Essa mudança nas penas ainda não está em vigor

O PL 4.262/2025 também continua em tramitação. Conforme o acompanhamento oficial do Senado consultado em 24 de agosto de 2026, a matéria voltou à CCJ e está aguardando turno suplementar em apreciação terminativa.

Vários projetos sobre maus-tratos foram reunidos

O substitutivo analisado pela CCJ reúne discussões de uma série de outros projetos que tramitavam em conjunto, sobre temas como cadastro de pessoas responsabilizadas por maus-tratos, proteção de denunciantes, violência praticada por adolescentes e mecanismos de prevenção e repressão.

Na votação de 12 de agosto, a CCJ aprovou o substitutivo ao PL 4.262/2025 e considerou diversas propostas que tramitavam em conjunto como prejudicadas, pois o texto consolidado já incorporou e analisou seus temas. Isso mostra que o Senado tenta concentrar diferentes iniciativas recentes de proteção animal em textos legislativos mais amplos.

O que acontece agora com o Estatuto dos Cães e Gatos?

No caso do PL 6.191/2025, o próximo capítulo ocorre na Comissão de Meio Ambiente. O projeto foi enviado à CMA depois da aprovação do parecer na CCJ e permanece sob análise no Senado.

Como ainda existem etapas legislativas pela frente, o conteúdo pode sofrer alterações antes de uma eventual transformação em lei. Por isso, notícias que dizem simplesmente que um “novo Estatuto dos Cães e Gatos foi aprovado” podem causar interpretação equivocada. O Estatuto dos Cães e Gatos avançou no Senado, mas ainda não virou lei.

Por que essas propostas são importantes para a proteção animal?

Os projetos colocam no centro do debate questões que fazem parte da rotina de milhões de brasileiros: abandono, adoção, animais comunitários, acesso a cuidados veterinários, identificação, castração e responsabilização por maus-tratos.

No caso do Estatuto, outro elemento importante é tentar reunir em um mesmo diploma regras que hoje aparecem de forma dispersa. O próprio parecer aprovado na CCJ sustenta que a proposta procura consolidar princípios, direitos, deveres e mecanismos de responsabilização relacionados à proteção animal.

Isso não significa que todas as disposições chegarão ao final da tramitação exatamente como estão hoje. Projetos podem receber emendas e alterações durante o processo legislativo.

A proteção animal ganha espaço na agenda do Senado

As movimentações de agosto de 2026 mostram que a proteção animal ganhou espaço relevante na agenda legislativa. De um lado, o Estatuto dos Cães e Gatos tenta criar uma estrutura ampla envolvendo direitos, deveres dos tutores, políticas públicas, adoção e proteção contra abandono. Do outro, o PL 4.262/2025 busca fortalecer os mecanismos de prevenção e punição dos maus-tratos.

São propostas capazes de produzir mudanças importantes caso concluam todas as etapas necessárias e sejam convertidas em lei. Até lá, informação responsável é indispensável.

Aprovação em uma comissão não significa que uma proposta já virou lei. Em 24 de agosto de 2026, tanto o PL 6.191/2025 quanto o PL 4.262/2025 permanecem oficialmente em tramitação no Senado Federal.

Perguntas frequentes

O Estatuto dos Cães e Gatos já está valendo?

Não. O PL 6.191/2025 continua em tramitação no Senado. A CCJ aprovou o projeto e o encaminhou à Comissão de Meio Ambiente.

Cães e gatos já receberam o reconhecimento de seres sencientes por essa nova lei?

O projeto propõe expressamente esse reconhecimento, mas o Congresso ainda não concluiu a tramitação do Estatuto nem o transformou em lei. Por isso, não se deve atribuir ao PL em tramitação os efeitos jurídicos de uma lei já vigente.

O projeto proíbe condomínios de barrar animais?

O texto prevê impedir restrições genéricas à permanência de cães e gatos. Essa, porém, é uma previsão do projeto ainda em tramitação.

As penas por maus-tratos já aumentaram?

Não em razão do PL 4.262/2025. O substitutivo aprovado pela CCJ prevê penas mais severas, mas a matéria continua em tramitação e aguarda turno suplementar na comissão.

Onde acompanhar se os projetos foram aprovados?

Consulte a situação oficial diretamente no portal de atividade legislativa do Senado Federal, que registra todas as movimentações de cada projeto.

Fontes e referências

Para elaborar este artigo, consultamos fontes oficiais do Senado Federal e da Agência Senado, incluindo a tramitação legislativa do PL 6.191/2025 e do PL 4.262/2025, além das notícias oficiais que o Senado publicou após as votações da Comissão de Constituição e Justiça em agosto de 2026.

Última verificação da tramitação: 24 de agosto de 2026.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Em caso de sintomas, procure atendimento.

Escrito por

Silvia Capriotti

Silvia Capriotti é advogada, fotógrafa especializada em fotografia pet, autora dos livros Adote Alegria e voluntária da causa animal há mais de 18 anos. Atua na divulgação da adoção responsável, proteção animal e bem-estar de cães e gatos por meio do Projeto Leva Eu e do trabalho desenvolvido junto ao Clube dos Vira-Latas.

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