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Raças de Cães

Cães da moda: as raças que viraram tendência em cada década

Determinadas raças de cães se tornam extremamente populares em certos períodos, em um fenômeno que mistura influências culturais, mídia, celebridades, cinema, novelas e modismos passageiros. Essa tendência, embora muitas vezes guiada pela…

Silvia CapriottiAutora 6 min de leitura
Raças de cães "da moda" ao longo das décadas.

Determinadas raças de cães se tornam extremamente populares em certos períodos, em um fenômeno que mistura influências culturais, mídia, celebridades, cinema, novelas e modismos passageiros. Essa tendência, embora muitas vezes guiada pela estética ou pela exposição na mídia, tem impactos reais na vida dos animais e dos tutores. Veja como algumas raças ganharam destaque em diferentes épocas, desde o início do século XX, e o que está por trás da oscilação dessas preferências.

Efeito manada: a construção social do prestígio canino

Mecanismos de validação social, status e pertencimento influenciam a escolha de determinadas raças de cães. Pela ótica sociológica, celebridades, mídia e redes sociais impulsionam o desejo coletivo por certas raças e reforçam o efeito manada. Essa busca por conformidade e distinção social transforma os cães em símbolos de capital cultural e social, muitas vezes em detrimento do bem-estar animal.

Cães da moda no século XX

Hoje as redes sociais imperam, mas antigamente as tendências em relação às raças eram fortemente moldadas pela influência do cinema, da literatura e das celebridades hollywoodianas. Filmes clássicos e séries de TV como Lassie e Rin Tin Tin elevaram o collie e o pastor alemão ao status de ícones culturais, enquanto escritores e figuras públicas reforçavam ideais de elegância, lealdade ou bravura associados a determinadas raças.

Essa relação entre mídia e comportamento social refletia uma época em que a cultura de massa tinha maior poder de persuasão, e criava uma identificação aspiracional que levava milhares de famílias a buscar o mesmo tipo de cão retratado nas telas ou nas páginas dos livros.

Década de 1900: a elegância do Collie

No início do século XX, o Collie era a raça mais popular. Originário da Escócia, esse cão pastor era valorizado por sua inteligência e lealdade. Sua popularidade foi impulsionada pela presença em lares aristocráticos e pela forte representação na literatura da época.

Década de 1910: o carisma do Boston Terrier

Nos anos 1910, o Boston Terrier ganhou destaque. Conhecido como “O Cavalheiro Americano”, esse cão compacto e amigável tornou-se símbolo da classe média urbana, especialmente nos Estados Unidos. A aparência distinta e o temperamento afetuoso reforçaram sua popularidade.

Década de 1920: a lealdade do Pastor Alemão

Na década de 1920, o Pastor Alemão emergiu como uma das raças mais admiradas. A inteligência e a versatilidade o tornaram ideal para funções policiais e militares. A fama de cães como Rin Tin Tin, estrela de filmes da época, contribuiu para sua ascensão.

Década de 1930: o retorno do Boston Terrier

Durante a Grande Depressão, o Boston Terrier voltou ao topo das preferências. Sua manutenção era mais econômica, e o tamanho compacto o tornava ideal para ambientes urbanos menores, características valorizadas em tempos de dificuldades econômicas.

Década de 1940: o encanto do Cocker Spaniel

Nos anos 1940, o Cocker Spaniel conquistou os lares americanos. A aparência encantadora e a natureza dócil fizeram dele um favorito das famílias. A vitória de exemplares da raça em competições caninas renomadas também elevou seu status.

Década de 1950: a popularidade do Beagle

Com a expansão suburbana nos anos 1950, o Beagle tornou-se uma escolha popular. A energia, o tamanho médio e a natureza amigável o tornaram ideal para famílias em crescimento. A estreia de personagens como Snoopy também ajudou a impulsionar sua fama.

Década de 1960: a sofisticação do Poodle

Durante a década de 1960, o Poodle reinou supremo. Disponível em tamanhos variados, a inteligência e a aparência elegante o tornaram símbolo de sofisticação.

Década de 1970: a era do Pequinês

Nos anos 70, o pequinês era um verdadeiro símbolo de status. Com aparência exótica, pelagem longa e comportamento altivo, essa raça de origem chinesa caiu no gosto popular, especialmente entre as classes médias urbanas. Sua popularidade foi impulsionada pela aparência aristocrática e pelo espaço reduzido necessário para criá-lo, um atrativo para quem morava em casas pequenas e apartamentos.

Década de 1980: a ascensão do Pastor Alemão

Nos anos 80, o pastor alemão dominou o cenário. A inteligência, o porte imponente e a versatilidade, como cão policial, de guarda ou de companhia, o tornaram amplamente desejado. Filmes e séries, como “Rin Tin Tin”, contribuíram para reforçar sua imagem heroica e leal. Era comum ver famílias orgulhosas com um pastor alemão no quintal.

Década de 1990: o charme do Cocker Spaniel

Com orelhas longas e olhos expressivos, o cocker spaniel foi o queridinho da década de 90. Muito desse sucesso veio da influência do filme “A Dama e o Vagabundo”, da Disney, e da aparência afetuosa e “fofa”. A raça era vista como ideal para famílias com crianças e ganhou destaque em comerciais e novelas da época.

Anos 2000: a sofisticação do Labrador e do Golden Retriever

Os anos 2000 marcaram a era do labrador retriever e do golden retriever. Conhecidas pela docilidade e pela inteligência, essas raças foram amplamente promovidas como os cães perfeitos para famílias. Passaram também a ser usadas como cães-guia e cães terapeutas, o que ampliou sua visibilidade e sua reputação positiva. A publicidade e os filmes reforçaram a imagem amigável e confiável.

Anos 2010: o estilo do Bulldog Francês e do Shih-tzu

Com a popularização das redes sociais, raças como o bulldog francês e o shih-tzu se tornaram verdadeiras celebridades caninas. Compactos, fotogênicos e de personalidade marcante, esses cães dominaram os feeds do Instagram. O shih-tzu, em especial, era presença constante em salões de beleza pet, o que reforçou a associação com o cuidado estético e o estilo de vida moderno.

Anos 2020: o fenômeno do Weimaraner, do Husky Siberiano e das raças “exóticas”

Nos últimos anos, o weimaraner conquistou os amantes de estética refinada. Com pelagem cinza-prateada e olhos expressivos, virou símbolo de sofisticação. O husky siberiano passou a figurar entre os mais populares pela beleza marcante e pela pelagem densa, apesar de não ser ideal para todos os climas. Houve ainda um crescente interesse por raças consideradas “exóticas” ou raras, impulsionado por influenciadores digitais e criadores de conteúdo que buscavam diferenciação visual.

O que explica a popularidade passageira das raças?

A escolha de uma raça muitas vezes reflete mais o estilo de vida e os desejos do tutor do que as necessidades do cão. Filmes, novelas, celebridades, influenciadores digitais e campanhas publicitárias têm papel decisivo nesse processo. Quando uma figura famosa adota uma raça, a procura por ela dispara.

Esse fenômeno, porém, traz riscos. A popularização repentina pode levar à criação irresponsável, a abandonos e a problemas de saúde decorrentes de cruzamentos sem critério. Por isso, pesquise bem antes de escolher um cão e considere o temperamento, o nível de energia, as necessidades de espaço e os cuidados específicos.

Amor e cuidado acima das tendências

Embora a moda influencie fortemente a escolha de raças ao longo das décadas, a adoção ou a compra de um cão deve ser uma decisão consciente, baseada na compatibilidade real com o estilo de vida do tutor. O amor e o cuidado devem prevalecer sobre tendências passageiras.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Em caso de sintomas, procure atendimento.

Escrito por

Silvia Capriotti

Silvia Capriotti é advogada, fotógrafa especializada em fotografia pet, autora dos livros Adote Alegria e voluntária da causa animal há mais de 18 anos. Atua na divulgação da adoção responsável, proteção animal e bem-estar de cães e gatos por meio do Projeto Leva Eu e do trabalho desenvolvido junto ao Clube dos Vira-Latas.

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