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Saruê: o animal brasileiro vítima de mitos e maus-tratos

O saruê, também conhecido como gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), é um marsupial encontrado em diversas regiões do Brasil. Nosso blog é focado em animais domésticos, mas ele merece espaço: é frequentemente prejudicado pela…

Silvia CapriottiAutora 5 min de leitura
Conheça o marsupial brasileiro, muitas vezes vitima de maus tratos.

O saruê, também conhecido como gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), é um marsupial encontrado em diversas regiões do Brasil. Nosso blog é focado em animais domésticos, mas ele merece espaço: é frequentemente prejudicado pela desinformação e pela falta de conhecimento da população. Apesar de hostilizado e até perseguido injustamente, desempenha um papel fundamental no ecossistema, ao controlar pragas e dispersar sementes. Muitas pessoas ainda o veem como ameaça ou animal imundo, quando na realidade ele é inofensivo e essencial para o equilíbrio ambiental.

Características do saruê

Nome científico: Didelphis albiventris
Família: Didelphidae (a mesma dos gambás)
Classe: Mammalia
Ordem: Didelphimorphia
Tamanho: até 60 cm (corpo + cauda)
Peso: de 500 g a 2 kg
Alimentação: onívoro (come frutas, insetos, pequenos animais e restos de comida)
Hábitos: noturno e solitário
Habilidade especial: finge-se de morto como defesa contra predadores

O saruê é um dos poucos marsupiais do Brasil. Assim como os cangurus, as fêmeas possuem uma bolsa onde os filhotes se desenvolvem após o nascimento. Esse detalhe reforça a importância de proteger a espécie, que muitas vezes é confundida com ratos.

O papel do saruê na natureza

O saruê é um grande aliado do meio ambiente. Estas são as principais funções dele na natureza:

  • Controle de pragas: ele se alimenta de insetos, baratas, ratos, escorpiões e cobras venenosas, ajudando a reduzir a população dessas pragas.
  • Dispersão de sementes: ao comer frutas, espalha sementes pela floresta e contribui para o crescimento de novas plantas.
  • Limpeza ambiental: como oportunista, consome restos de comida e carcaças, evitando o acúmulo de matéria orgânica e ajudando na reciclagem natural de nutrientes.

Por causa da aparência e dos hábitos noturnos, muitas pessoas o confundem com roedores e perseguem o animal, sem saber que ele só traz benefícios à natureza e aos humanos.

O que o saruê come?

O saruê é onívoro, ou seja, tem uma dieta bastante variada, que inclui:

  • Insetos e pequenos vertebrados: baratas, gafanhotos, escorpiões, ratos e até cobras venenosas.
  • Frutas e vegetais: mamão, banana, abacate, cajá e outras frutas nativas.
  • Carne e restos orgânicos: pequenos vertebrados e até carcaças.

Uma curiosidade é que os saruês têm certa resistência ao veneno de escorpiões e serpentes, como as jararacas, o que permite que eles as cacem e se alimentem desses animais sem risco. Isso faz do saruê um importante controlador natural de pragas e animais peçonhentos.

Saruês são vítimas de maus-tratos

Muitas pessoas maltratam ou matam saruês por desinformação ou medo infundado. É crime maltratar, ferir ou matar qualquer animal silvestre, de acordo com a legislação brasileira.

Embasamento legal

Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), art. 29:
“Matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, sem permissão, licença ou autorização da autoridade competente, sujeita o infrator a pena de detenção de seis meses a um ano e multa.”

A Constituição Federal também protege a fauna e proíbe práticas que submetam os animais à crueldade.

Pena para quem maltrata animais: detenção de até 5 anos e multa, segundo a Lei nº 14.064/2020, que aumentou a punição para maus-tratos.

Se você presenciar agressões contra saruês ou qualquer animal silvestre, denuncie.

Como denunciar maus-tratos contra o saruê

Se testemunhar alguém maltratando, ferindo ou matando um saruê, você pode denunciar pelos seguintes canais:

  • IBAMA: 0800-618080 (linha direta para crimes ambientais).
  • Polícia Militar Ambiental: ligue 190 e peça contato com a unidade mais próxima.
  • Linha Verde do IBAMA: www.ibama.gov.br.
  • Prefeituras e secretarias de Meio Ambiente: muitas cidades possuem órgãos locais de proteção à fauna.

Denunciar é um ato de cidadania e de proteção à natureza. Não seja omisso.

O que fazer se encontrar um saruê ferido

Se encontrar um saruê ferido ou debilitado, siga estas orientações:

  • Não tente cuidar sozinho: animais silvestres precisam de atendimento especializado, e medicamentos humanos não são indicados.
  • Afaste cães e gatos: eles podem atacar o saruê e agravar sua condição de saúde.
  • Proteja o animal com segurança: se for seguro, coloque-o em uma caixa com furos e pano macio.
  • Acione órgãos ambientais ou veterinários especializados: o IBAMA (0800-618080), o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) mais próximo, a Polícia Ambiental ou ONGs de resgate de fauna.

Se o animal parecer saudável, não tente capturá-lo. Ele faz parte do ambiente natural e deve seguir seu ciclo na natureza.

Mitos sobre o saruê

Muitas pessoas, por falta de informação, têm preconceito contra o saruê. Estes são alguns mitos e verdades que ajudam a desfazer essas invenções populares:

  • “O saruê transmite raiva.” Raramente transmite raiva, pois seu metabolismo dificulta a replicação do vírus, o que o torna praticamente imune.
  • “Ele solta cheiro ruim.” Diferente do gambá americano, o saruê não libera mau cheiro como defesa.
  • “Ele é um rato grande.” O saruê não é um rato, é um marsupial, ou seja, pertence à mesma ordem dos cangurus e coalas, não dos roedores.
  • “O saruê transmite leptospirose.” O saruê não transmite leptospirose. Diferente dos roedores, que eliminam a bactéria Leptospira pela urina, o saruê não carrega esse agente em seu organismo. O medo de contrair leptospirose por meio desse marsupial é infundado.

Convivência harmônica: como ajudar o saruê

Se encontrar um saruê no quintal, não tente espantá-lo com violência. Ele não oferece perigo.
Não deixe lixo orgânico exposto, pois isso pode atraí-lo para áreas urbanas.
Eduque outras pessoas sobre a importância desse animal para o ecossistema.

Em vez de temer ou hostilizar, devemos respeitar e proteger o saruê. Ele é um verdadeiro amigo da natureza e merece ser preservado.

Proteger o saruê é proteger a biodiversidade

O saruê é um aliado valioso no equilíbrio ambiental, pois ajuda no controle de pragas e na dispersão de sementes. Mesmo assim, sofre perseguição e maus-tratos por desinformação. Maltratar ou matar esse animal é crime ambiental, e ele é inofensivo para o ser humano. Se encontrar um saruê machucado, procure ajuda especializada e, se presenciar maus-tratos, denuncie. Ajude a espalhar essa informação para que mais pessoas respeitem e protejam esse pequeno marsupial brasileiro.

Fontes e referências

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Em caso de sintomas, procure atendimento.

Escrito por

Silvia Capriotti

Silvia Capriotti é advogada, fotógrafa especializada em fotografia pet, autora dos livros Adote Alegria e voluntária da causa animal há mais de 18 anos. Atua na divulgação da adoção responsável, proteção animal e bem-estar de cães e gatos por meio do Projeto Leva Eu e do trabalho desenvolvido junto ao Clube dos Vira-Latas.

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